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OPAÍS

É de hoje… Será o fim dos ‘pilha-galinhas’?

Dani Costapor Dani Costa
20 de Julho, 2026
Em Opinião

Um dos hábitos cultivados há muito tem sido ouvir os balanços diários das actividades realizadas pela Polícia Nacional e pelos Serviços dos Bombeiros através das rádios sediadas em Luanda. Quando posso, faço em casa. Outras vezes, quando já me encontro em direcção ao meu local de trabalho.

Normalmente, sempre que o oficial de serviço é da Polícia Nacional ou dos Bombeiros, as ocorrências têm sido sobre assaltos, roubos, acidentes de viação, homicídios simples e outros crimes de pequena monta, aquilo que os experts em direito penal designariam como sendo ‘crimes bagatelar’. Muitas vezes, os próprios cidadãos, muitos dos quais ansiosos em ouvir e ver responsabilizados aqueles que saqueiam o erário, apelidavam de crime de pilha galinhas, ou seja, cometidos por cidadãos comuns.

Há até quem acredite que muitos destes crimes económicos e pequenos roubos sejam cometidos mais por necessidade do que propriamente porque os seus autores possuam uma carreira enquanto delinquentes. Aos poucos, o cenário vai se transformando rapidamente. Dos supostos crimes de pilha-galinhas, evoluímos para crimes que nos levam a crer que estaremos já presentes a organizações criminosas mais sofisticadas, à semelhança do que muitos pensavam só existir em filmes de acção de Hollywood.

Em duas semanas, dois casos acabaram por mexer com a sociedade. Os seus autores materiais, apesar da hipótese de existência de câmeras de filmagens e guardas em zonas mais movimentadas da capital, não se coibiram em assaltar uma dependência bancária no Complexo Desportivo da Cidadela, matando um dos guardas e ferindo um outro. Dias antes, ainda envolvendo valores que se destinavam a uma agência bancária, um outro grupo, composto por mais de 10 indivíduos, assaltou com armas de guerra uma carrinha, subtraindo do seu interior mais de 100 milhões de kwanzas.

Outras vozes dizem que foram apenas 80 milhões, sendo agora da responsabilidade dos Serviços de Investigação Criminal apurar de que lado estará a verdade. Em todo o caso, neste último assalto, chama atenção o facto de se ter dito que tenha sido orquestrado dentro de uma penitenciária da capital, ou seja, muitos dos detentos continuam a comandar o crime em Luanda – ou noutras partes do país – apesar de se encontrarem enclausurados, o que levanta vários questionamentos sobre a organização, acesso à informação e outros meios. Há muito que os roubos a bancos e outras instituições financeiras se tornaram uma realidade.

Porém, o modus operandi de muitos casos no passado era completamente amador, se se tiver em conta os meandros dos que ocorreram nos últimos dias na capital, demonstrando os assaltantes um nível de organização muito mais elevado, contando inclusive com fornecedores de armas de uma única província, o que levanta ainda outras inquietações.

Ainda preferimos acreditar que estamos distantes de grupos como muitos que vão aterrorizando alguns países africanos e outros na América Latina e Ásia. Mas, ainda assim, é tempo de as autoridades policiais começarem a refrear o ânimo daqueles que estão por detrás destas organizações, antes que a situação se descontrole.

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