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OPAÍS

PONTUAL: Os “operativos” das filas dos bancos

Jorge Fernandespor Jorge Fernandes
7 de Julho, 2026
Em Opinião

O sistema bancário angolano conta com vinte e três bancos comerciais reconhecidos pelo Banco Nacional de Angola (BNA), a maior parte deles representada em praticamente todo o território nacional. A sua utilidade é inquestionável, permitindo aos clientes realizar diversas operações, quer presencialmente, quer à distância, através das aplicações informáticas disponibilizadas pelas instituições financeiras.

Até aqui tudo bem. Todos estes bancos dispõem de caixas automáticas, vulgarmente conhecidas por multicaixas, que permitem aos clientes levantar dinheiro em numerário sem necessidade de recorrer ao atendimento de um operador bancário. Contudo, a realidade observada, sobretudo no final e no início de cada mês, quando são processados os salários, revela um cenário bem diferente.

Em muitos postos de ATM, apenas uma máquina se encontra em funcionamento ou abastecida, originando longas filas de espera e enormes constrangimentos para os utentes. É precisamente neste contexto que prosperam os chamados “operativos” das filas. Mediante o pagamento de uma “micha”, permitem que pessoas recém-chegadas ultrapassem quem espera há horas, transformando um simples levantamento de dinheiro numa experiência marcada pela desordem e pela injustiça.

Como se isso não bastasse, muitos cidadãos, depois de uma longa espera ou de percorrerem vários caixas automáticos à procura de dinheiro disponível, chegam finalmente à sua vez apenas para descobrir que o numerário se esgotou. É então que surge um outro fenómeno preocupante: indivíduos munidos de Terminais de Pagamento Automático (TPA) disponibilizam dinheiro em espécie, cobrando uma comissão que pode ascender a 100 kwanzas por cada nota de mil levantada. Criou-se, assim, um mercado paralelo de venda de dinheiro físico, alimentado pelas deficiências do próprio sistema bancário. Quem exerce essa actividade está apenas a aproveitar uma oportunidade criada pelas falhas existentes.

O verdadeiro problema reside na incapacidade das instituições bancárias de assegurar o regular abastecimento e funcionamento das caixas automáticas. Compete aos bancos garantir um serviço eficiente aos seus clientes. E compete ao regulador acompanhar, fiscalizar e exigir padrões mínimos de qualidade. Enquanto isso não acontecer, continuarão a multiplicar-se as filas intermináveis, os custos adicionais suportados pelos cidadãos e os negócios informais que florescem à sombra das fragilidades do sistema financeiro.

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