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OPAÍS

Febre do ouro

Dani Costapor Dani Costa
27 de Maio, 2026
Em Opinião

As imagens da governadora do Bengo, Maria Nelumba, em lágrimas, após visitar os familiares dos que perderam a vida numa mina ilegal de ouro, em Nambuangongo, não deixam de ser constrangedora. Não tenho memória de uma tragédia do género no país, em que, aos poucos, vão aumentando drasticamente as zonas ilegais de exploração de ouro, numa espécie de febre, algumas vezes, patrocinada por compradores estrangeiros.

Foi difícil ver a governante dizer que não havia como não se solidarizar com as famílias. Nem tão pouco deixar de dar um apoio aos parentes. Lembro-me de ter visto uma família em que cinco integrantes soterrados acabaram por perder a vida, sendo alguns irmãos e até cunhado.

Do outro lado, um outro parente não deixava de lamentar pelo facto de um sobrinho, por sinal, professor, que supostamente teria embarcado para Luanda, acabar também por sucumbir na exploração clandestina.

Dizia o seu familiar que ‘fizeram um grande investimento para que não caísse nesta actividade, mas este acabou por surpreendê-los a todos’. É indiscutível quando se diz que Deus foi extremamente generoso com Angola.

Com uma população hoje estimada em cerca de 40 milhões de pessoas, o país possui no seu solo enormes riquezas, sendo que algumas delas nem sequer estão exploradas. A febre do ouro que temos assistido é um dos exemplos da dimensão daquilo de que fomos bafejados.

Nos últimos tempos, infelizmente, são vários os jovens que fizeram destas actividades uma das fontes de renda, apesar de muitos deles poderem obter mais rendimentos se apostassem na agricultura, pesca ou pecuária.

Embora se tenha observado a tragédia no Bengo, a actividade está quase espalhada em muitas localidades da região. Há poucos meses, houve relatos de uma forte actividade de jovens nas matas do Uíge.

Porém, é na Huíla onde, nos últimos tempos, as autoridades desencadearam uma forte operação policial e militar para desmantelar cerca de 30 mil cidadãos que garimpam ouro.

Para muitos, essa parece ser a última escolha, tendo em conta o nível ainda acentuado de desemprego que se as siste em muitas localidades, apesar de colocar em causa as suas próprias vidas.

Mas muitos deles desconhecem que há muito mais formas de se conseguir sustentar as suas famílias e progredir, caso apostem em actividades como a agricultura, que já vai dando frutos em muitos jovens diligentes.

A hecatombe do Bengo, muito repercutida a nível nacional e internacional, deve servir de mote para que mais jovens não tenham o mesmo destino.

E que se aposte em empresas que possam fazer a exploração do ouro em muitas localidades, onde alguns destes, chamados pela febre actual, possam contribuir, à semelhança do que se assiste nas empresas diamantíferas.

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