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OPAÍS

A selva em estado de alerta

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
20 de Junho, 2025
Em Opinião
A selva em estado de alerta

Na vastidão da selva antiga, onde cada galho escondia uma história e cada sombra podia ser um aliado ou um inimigo, dois grandes animais caminhavam em círculos há anos, trocando olhares que jamais seriam amistosos.

De um lado, o Leopardo das Montanhas, ágil, silencioso, com olhos de pedra e patas leves como vento cortante. Era mestre em sobreviver cercado por inimigos e acostumado a responder rápido, com garras afiadas e dentes prontos.

Dizia-se que ele havia vencido caçadas impossíveis, mas também que nunca esquecia uma ameaça. Do outro lado, o Urso Persa, enorme, imponente, de rugido profundo como trovão.

Carregava em seu dorso cicatrizes antigas e uma vontade teimosa de moldar a floresta à sua imagem. Reunia ao seu redor outros animais menores, prometendo protecção e fúria contra os predadores do ocidente da selva.

Os dois nunca se enfrentaram directamente – não por falta de vontade, mas porque sabiam que um combate aberto incendiaria toda a floresta. Ainda assim, testavam limites: o Leopardo espreitava as trilhas do Urso, enquanto este espalhava seu cheiro pelos arbustos próximos ao território do primeiro. À noite, os corvos sobrevoavam os galhos comentando em murmúrios.

Os macacos mais jovens faziam apostas sobre quem daria o primeiro golpe. As cobras, como sempre, sibilavam conselhos ambíguos a ambos. — Uma briga entre os dois vai queimar a floresta inteira — dizia a velha Coruja, que já vira conflitos semelhantes virarem cinzas e poeira.

Mas nenhum dos dois queria parecer fraco. E na selva, orgulho é quase tão valioso quanto alimento. O Urso começou a treinar seus aliados, os chacais e texugos, para morder as patas do Leopardo quando ele estivesse distraído.

O Leopardo, por sua vez, afiava as garras em pedras escondidas e se aliava discretamente a águias que observavam de cima os passos do rival. A tensão aumentava, como o calor antes da tempestade.

E enquanto os grandes se ameaçavam em silêncio, a selva toda vivia em suspense – porque quando dois titãs da floresta resolvem lutar, não são apenas eles que sangram. São os galhos, as folhas, os ninhos e os riachos que pagam o preço.

Por: RIBAPTISTA

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