Em qualquer sítio em que se passe, há, nem que seja de forma implícita, abordagens que têm a ver com a vida económica do país. Aliás, o aumento dos preços dos produtos da cesta básica, alguns dos quais poderiam ser produzidos em grande escala no país, faz com que nos interessemos, directa ou indirectamente, pelas nuances económicas, embora só um número reduzido de pessoas consiga perceber o que resulta da fraca ou da grande oferta?
Em língua comum, diríamos basicamente que o aumento de preços que nos assusta hoje está associado à fraca produção de diversos produtos, entre os quais os cereais que, felizmente, hoje Angola vai conhecendo desde a implementação de programas do actual Executivo, entre os quais o Planagrão.
Quando ontem, depois de uma intervenção no debate Economia Sem Makas, resultante de um espaço de análise do jornalista e economista Carlos Rosado, ouvi o ministro de Estado da Coordenação Económica, José de Lima Massano, dizer que a diversificação da nossa economia é algo que tem necessariamente de acontecer’ veio-me à cabeça a análise das várias perspectivas que o tema pode carregar ainda nos dias de hoje.
Não tenho dúvidas de que existem ainda entre nós muitos cidadãos que acreditam que a redução de preços ou até mesmo o fim da dependência do petróleo dependerá única e exclusivamente das políticas que forem implementadas pelo Executivo. Se assim for, embora possa parecer paradoxal, creio que é no esforço de cada um, onde quer que esteja, que se vai buscar a alteração do cenário que se vive ainda.
Quem acompanha as dinâmicas económicas de muitos países europeus, americanos e asiáticos tem a mínima noção de que são os pequenos empreendimentos, emanados até no seio familiar ou de amigos, que deram lugar aos grandes conglomerados empresariais que movimentam a própria economia mundial.
São várias as histórias de empresas que nasceram até das garagens que deram lugar a autênticos monstros do mundo empresarial, como, por exemplo, o próprio Facebook, que é utilizado por quase toda a gente e transformou os seus criadores em bilionários, entre os quais um brasileiro, Eduardo Severin.
Sem querer colocar de parte as responsabilidades do próprio Executivo, a grande verdade é que cada angolano deve ser um partícipe activo neste processo de diversificação económica, seja a nível dos serviços, tecnologias, agricultura ou outros ramos.
Há hoje, em Angola, sobretudo, muitos jovens que, lavrando a terra, vão transformando não só as suas comunidades, mas também contribuindo para que entre no país divisas através das áreas em que actuam e fazendo com que a comida chegue mais barato às mesas de muitos angolanos.
É verdade que nem todos têm este bichinho do empreendedorismo que, durante muito tempo, fez escola em muitos lugares e ocupou vários espaços noticiosos. Mas se cada um dos angolanos percebesse que a diversificação não é uma tarefa exclusiva do Executivo, mas também de outros integrantes da própria so- ciedade, talvez despertasse ainda mais o interesse na sua concretização.