A capital angolana, Luanda, vai albergar, de 22 a 24 de julho próximo, a segunda Conferência ministerial do Turismo e Transportes de África, um evento que visa dinamizar ambos os sectores, reforçar a conectividade aérea e diversificar a economia do continente
Sob a égide da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas (ONU Turismo) e da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), a conferência prevê juntar mais de 30 ministros africanos e perto de 500 participantes, entre representantes de companhias aéreas, operadores turísticos e investidores internacionais.
Segundo uma nota de imprensa do Ministério dos Transportes a que a ANGOP teve acesso este domingo, o programa da actividade reserva, entre outros, a análise e discussão de temas sobre investimentos, Inteligência Artificial (IA), novas políticas de conectividade aérea, assim como a definição e implementação de estratégias que assegurem a competitividade e o desenvolvimento sustentável de ambos os sectores no continente africano.
A propósito do evento, refere o documento, o ministro do Turismo, Márcio Daniel, destacou, em conferência de imprensa realizada recentemente, em Luanda, as potencialidades de Angola para o desenvolvimento do turismo como factor essencial para diversificação da economia nacional.
Referiu que o país precisa atingir patamares equivalentes aos dos países da região e outros de ex- pressão portuguesa que baseiam as suas economias neste sector, tendo em conta o potencial nacional existente, desde o turismo de sol e praia, ao turismo rural, paisagístico e religioso.
“Esta conferência é uma oportunidade única para mostrarmos ao mundo as nossas valências, atrairmos investimentos e criarmos emprego especializado”, afirmou. Por sua vez, o ministro dos Transportes, Ricardo D’Abreu, lembrou que mais de 50% do turismo é realizado por via aérea, pelo que considerou oportuna a realização da 2.ª Conferência Ministerial em Angola, atendendo ao facto de se encontrar numa fase de consolidação das reformas e de operacio-alização dos investimentos em infra-estruturas e meios para aumentar a conectividade internamente, no continente e no mundo.
“O turismo pode e deve ser um acelerador do processo de diversificação da economia nacional, tendo em conta que temos as condições para que isso aconteça”, sublinhou. Já a directora regional para África da ONU Turismo, Elcia Grand- court, destacou o compromisso de Angola garantir o sucesso do evento e enalteceu a qualidade dos encontros mantidos com as autoridades angolanas.
Assinalou ainda a modernidade das infra-estruturas visitadas, com especial destaque para o Aeroporto Internacional António Agostinho Neto (AIAAN), que representa um factor diferenciador para Angola no contexto africano.
Por seu turno, o representante da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), Peter Alawani, reforçou a importância da interdependência entre os sectores do turismo e dos transportes aéreos para o sucesso das estratégias de desenvolvimento.
Referiu que, neste sentido, o suporte da ICAO à Angola tem sido incondicional, tendo se manifestado convicto de que a Conferência Ministerial contribuirá para dinamizar a conectividade africana e a aviação civil do continente no contexto mundial.
“Actualmente, a aviação africana representa apenas 2% do tráfego aéreo global, sendo fundamental que este número aumente através de estratégias concretas e da colaboração entre os Estados”, concluiu.
A primeira edição da Conferência Ministerial do Turismo e Transportes de África realizou-se em Cabo Verde, em 2019, com a participação de mais de 20 ministros, tendo, na ocasião, Angola manifestado o desejo de organizar a reunião seguinte, o que não veio a se concretizar devido à Covid-19.
Angola tem investido significativamente no reforço da sua conectividade aérea, tendo registado um aumento de 25% no tráfego de passageiros internacionais em 2023. Olhando para a importância estratégica deste segmento, o Governo alocou mais de cinco mil milhões de dólares à modernização e certificação dos aeroportos, assim como à expansão da frota da TAAG, assegurando padrões internacionais de segurança e eficiência operacional no sector da aviação civil.
No âmbito do Plano Nacional de Fomento ao Turismo (PLANA- TUR), o Governo apostou igualmente na dinamização do turismo, com vista a torná-lo um contribuinte líquido para a diversificação económica e para o crescimento anual do país. Associado a isto, está o instrumento da isenção de vistos para mais de 90 países e a melhoria do ambiente de negócios, dos quais se esperam efeitos positivos na conectividade económica nacional a todos os níveis.