A implementação de sistemas tecnológicos avançados, com destaque para a Inteligência Artificial, foi um tema colocado em análise por especialistas no ramo da juventude e da informática em Angola. Numa imersão organizada pela empresa brasileira de Coaching e Tecnologia Febracis, os profissionais abordaram os benefícios e malefícios do uso de Inteligência Artificial no sistema educativo
Joaquim Caiombo, director do Instituto Angolano da Juventude, aponta o aumento da qualidade do ensino, o acesso à tecnologia e a formação de professores como três habilidades importantes que podem servir de instrumentos para ajudar Angola a atingir os níveis da intervenção tecnológica no sector da educação.
Para além disso, o director destaca ainda a aprovação de um instrumento legal para o ensino a distância como um instrumento de políticas públicas para a acreditação do ensino a distância e também o uso dos instrumentos de educação como recursos necessários da tecnologia para as nossas instituições de ensino, tanto superior como do ensino geral. Caiombo afirma que há a necessidade de se capacitar os professores para lidarem com novas tecnologias para auxiliarem no ensino.
“Na época da Covid-19, quando foi implementado o Moodle, uma plataforma para aulas à distância, havia professores que tinham muitas dificuldades em usar a mesma, daí que percebemos a importância de os professores terem literacia no âmbito da tecnologia”, assevera.
“O mundo mudou, a educação já não é a mesma e certamente a tendência de nos adaptarmos aos desafios do futuro nos exige seguir os caminhos daqueles que já desenhávamos. Os modelos de ensino e a própria estratégia do domínio do ensino à distância, pois, nós, enquanto olhamos para a tecnologia, até para a educação, ao analisar a qualidade da nossa própria educação, entendemos que é necessário seguir os passos de outras experiências”, atira Caiombo.
Estas declarações foram feitas durante o evento “Imersão Tech Angola 2025”, que aconteceu em Luanda. Para a vice-presidente para a Educação e Desenvolvimento Profissional da PMI, Velela Sebastião, a tecnologia em Angola deve ser “entregue” às mãos certas.
Essas mãos certas, segundo ele, são os jovens líderes que, se não tiverem acesso a esta tecnologia, será impossível aplicá-la à nossa realidade. Velela afirma que os jovens precisam de um alinhamento daquilo que são as ciências e a academia. Ademais, a especialista acredita que na academia os estudantes deviam ser preparados e dadas ferramentas com o propósito de aplicarem isso nas suas comunidades.
Universitários capacitados para o mercado de trabalho
A vice-presidente para Educação e Desenvolvimento Profissional da PMI Angola afirma que a organização começou, há pouco mais de um mês, um programa de mentoria para jovens que termi- nam a faculdade e vão entrar para o mercado de trabalho. O objectivo, segundo a mesma, é conectar os jovens com profissionais que lhes ajudem a desenvolver o seu potencial.
“Imaginemos um programador excelente, mas que não sabe comunicar, não sabe apresentar uma proposta de valor a um cliente, não sabe gerir conflitos, não sabe gerir um projeto. Este programador saiu como excelente aluno da universidade, mas falta uma base, uma estrutura, e é este o problema que nós temos no nosso país”, assevera Velela.
A falta de sistemas tecnológicos avançados implementados no contexto educativo angolano representa, para especialistas na área da juventude e da tecnologia, um problema que devia ser revertido para que haja melhorias na educação e maior qualidade nos profissionais formados.
Apesar da dificuldade existente em Angola devido ao uso de novos softwares aplicados em diferentes sociais, em especial na educação, para os profissionais é importante que se ensine como tirar proveito da Inteligência Artificial e até que ponto isso pode gerar uma revolução no sistema de ensino an- golano, que carece de evolução.