Representantes da Ucrânia e dos Estados Unidos terminaram, nesta terça-feira, uma segunda reunião, em Riad, destinada a informar Kiev das conversações russo-americanas de segunda-feira, disse uma fonte da delegação ucraniana, noticiou o site Notícias ao Minuto
O conselheiro do gabinete presidencial ucraniano, Serguei Leshchenko, disse que a reunião de ontem se destinou a informar a parte ucraniana sobre o que os Estados Unidos tinham previamente negociado com os russos.
As negociações tiveram como tema a possibilidade de declarar uma trégua no bombardeamento do sistema de energia e nos ataques no Mar Negro, acrescentou Leshchenko, citados pela agência espanhola EFE.
Uma fonte da delegação ucraniana disse à agência francesa AFP que “todos os pormenores serão anunciados mais tarde”.
A reunião realizou-se depois de a delegação norte-americana ter passado 12 horas, na segunda-feira, a negociar com os emissários do Kremlin (presidência russa) os termos de um possível cessar-fogo para avançar para um fim negociado da guerra.
O presidente norte-americano, Donald Trump, disse, na segunda-feira, que nas reuniões em Riad também se estava a discutir, entre outros temas, a divisão do território entre os dois países e “linhas de demarcação”.
A Rússia, que saudou as conversações como úteis, foi acusada por Kiev de estar a ganhar tempo para obter uma vantagem na linha da frente, segundo a AFP. Ucrânia e Estados Unidos já se tinham reunido em Riade, no Domingo, antes das conversações russo-americanas.
A delegação russa deixou a Arábia Saudita, noticiou a agência estatal Ria Novosti. O Kremlin disse ontem que ainda estava a analisar o resultado da reunião de Segunda-feira.
Desde o início, no Domingo, das conversações que envolvem Washington, Moscovo e Kiev, o vaivém norte-americano entre as partes beligerantes não resultou numa trégua, mesmo parcial, nem num consenso sobre uma moratória de certos ataques aéreos.
As agências russas tinham anunciado, na Segunda-feira à noite, que os Estados Unidos e a Rússia iriam emitir uma declaração conjunta sobre o resultado das suas negociações.
Mas o porta-vos do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou, ontem, que o conteúdo das trocas de impressões “não será certamente tornado público”.
Embora os contactos com os norte-americanos continuem, não foi fixada uma data precisa para uma nova reunião, acrescentou Peskov.
Donald Trump conseguiu, através de pressões, obter o acordo de princípio de Kiev para um cessarfogo incondicional de 30 dias.
O Presidente russo, Vladimir Putin, embora tendo o cuidado de não rejeitar a proposta de Trump, enumerou uma série de exigências e disse que queria limitar as tréguas apenas aos ataques às infraestruturas energéticas.
“Foi um diálogo intenso, não fácil, mas muito útil para nós e para os americanos”, disse, ontem, o senador Grigori Karassin, um dos negociadores russos, à agência oficial russa TASS.
Karassim afirmou que “foram debatidos muitos problemas”. “Estamos longe de ter resolvido tudo, mas parece-me que uma conversa como esta é muito oportuna”, disse Karassin.
“Vamos continuar a fazê-lo, envolvendo a comunidade internacional, sobretudo as Nações Unidas e alguns países”, acrescentou. Trump, cuja aproximação a Putin veio “baralhar as cartas” no conflito desencadeado pela invasão russa da Ucrânia em Fevereiro de 2022, afirma querer pôr fim às hostilidades.