Percorrer Luanda – Lundas Sul e Norte pelas estradas nacionais sempre foi uma das maiores preocupações dos automobilistas no país há alguns anos. Por curiosidade, um dia antes, juntamente com um colega de profissão, pusemo-nos à estrada para atingir Saurimo, inicialmente, e só depois a sempre acolhedora cidade do Dundo, a capital da Lunda-Norte.
Quem durante a fase pós-conflito circulou pela Nacional 230 lembrar-se-á, seguramente, do estado calamitoso em que se encontrava a via, ganhando alguns dos troços nomes pejorativos que, durante largos anos, obrigavam com que os camionistas, taxistas e outros condutores vissem com alguma deferência a via. Poto-Poto era um destes nomes.
Era um local lamacento, quase que intransponível durante a época chuvosa, que fazia com que dezenas ou centenas de camionistas e não só aí pernoitassem, dias a fio, por conta das dificuldades existentes.
Mas, hoje, pelo que vamos lendo e ouvindo, é já um caso passado, uma vez que esta parte do trajecto apresenta uma nova imagem, fazendo com que a viagem entre Luanda, Malanje, Lundas Norte e Sul, assim como partes do Moxico, seja mais agradável.
Nos últimos tempos, são várias as notas positivas que vão sendo dadas ao trabalho efectuado para a reparação do troço, que até então foi um enorme problema para as populações do norte, nordeste e leste do país, muitas das quais dependiam exclusivamente de fornecimento de bens do litoral que chegavam por via terrestre ou aérea.
É provável que, nos dias que correm, muitos não mais se lembrarão das dificuldades que era para se obter até mesmo bens da cesta básica no leste. Por conta da dependência de voos, os preços destes eram quase o triplo do que se poderia conseguir noutras regiões do país.
Quando há poucos meses voltei a visitar a Lunda-Norte, senti-me um tanto quanto frustrado por não o ter feito por estrada. Não que seja um apaixo- nado pela condução, mas sobretudo porque gostaria de sentir, à semelhança de muitos, as benfeitorias que quase regularmente escuto nos últimos dias, incluindo de políticos da própria oposição, de que a estrada nesta região do país terá melho- rado bastante.
Hoje, o Presidente da República, João Lourenço, deverá trabalhar na Lunda-Sul, onde vai reunir o Conselho de Governação Local, um conclave que, nos últimos anos, se tem desdobrado em várias partes do país.
Somos daqueles que desde muito acreditam que o desenvolvimento do país será feito através das estradas nacionais, secundárias e terciárias. Serão elas, indiscutivelmente, um dos factores primordiais para o acesso aos produtos do campo e também para a redução dos seus preços. Infelizmente, nem todas as estradas do país asse- melham-se ao que se vê hoje em parte considerável da Estrada Nacional 230.
Seria bom que assim fosse. E acreditamos que se, pelo menos, alguns dos governantes que estarão hoje em Saurimo lá chegassem por estrada, tal como o fazem centenas ou milhares de angolanos todos os dias, teriam uma impressão melhor sobre a qualidade, os prazos e até mesmo o impacto que as obras têm para a imagem do próprio Executivo.