Pela primeira vez no país, o sector da Saúde vai contar com câmaras hiperbáricas, três no total, um importante equipamento de tratamento não apenas para doentes queimados, mas também para outras patologias. a revelação foi feita pela ministra de tutela, Sílvia Lutucuta, no último sábado
No final da visita de constatação das obras dos hospitais dos Queimados no Kilamba, complexo hospitalar Pedalé e Américo Boa Vida, feita pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, revelou que o nosso país vai contar, pela primeira vez, com câmaras hiperbáricas.
A câmara hiperbárica é um equipamento médico que permite tratar diversas condições através da terapia de oxigenação hiperbárica, indicada para feridas diabéticas, lesões por radiação, gangrena gasosa, embolia gasosa, envenenamento por monóxido de carbono, envenenamento por cianeto e lesões por esmagamento.
De acordo com a ministra, o futuro hospital dos Queimados do Kilamba, cujas obras estão a bom ritmo e terá a capacidade para 248 camas, dentre as quais mais de 60 dedicadas apenas a doentes queimados, terá também valências de um hospital geral.
Sílvia Lutucuta realçou que, pela primeira vez no sector da Saúde, teremos, com o funcionamento desta unidade, câmaras hiperbáricas, no total de três, que vão ajudar a complementar não apenas serviços de queimados, mas também noutras patologias com necessidades para o uso.
“Tais como infecções, cicatrização de feridas, envenenamentos ou embolia pulmonar, recuperação de lesões musculares, pé diabético, recuperação cirúrgica e doenças descompressivas”, especificou.
De lembrar que a câmara hiperbárica é um equipamento médico que permite tratar diversas condições através da inalação de oxigénio puro a pressões elevadas, e é também conhecida como tanque isobárico ou câmara isobárica.
Obras no Pedalé prestes a terminarem
Quanto às obras do complexo hos- pitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, Lutucuta reconheceu que estas registaram vários momentos menos bons, porém, actualmente as obras estão a arrancar com toda a segurança e a bom ritmo, pelo que se prevê que no final deste primeiro semestre ou princípio do próxi- mo sejam concluídas.
O hospital terá todas as valências de uma unidade sanitária moderna, com serviço de hemodiálise, ima- giologia, centro de treinos e heliporto, área de cirurgia e, no futuro, poderão ser realizados transplantes.
Portanto, o complexo hospita- lar Pedalé será de referência nacional e para alta complexidade, segundo a ministra. Tal como no Américo Boa Vida, que terá o centro de treinamento para cirurgia simulada e outras áreas, no Pedalé terá um robô dedicado para formação e outro para assis- tência.
“Quero com isto dizer que a robótica já é um facto, nós começamos no hospital Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, com robótica para assistência, e actualmente temos para a formação”, frisou Sílvia Lutucuta.
Recorda-se que a visita teve iní- cio no hospital Américo Boa Vida, onde o Presidente, João Lourenço, constatou a reabilitação e ampliação da referida unidade, que a ministra diz ter ficado satisfeito com o decorrer das obras, que inicialmente registaram alguns impasses, mas a situação já está ultrapassada. A questão do financiamento está assegurada, assim como a infra- estrutura, por isso, prevê-se que a conclusão seja no mês de Novembro, em função da complexidade da obra.
“O hospital era antigo, tinha problemas estruturais graves. No trabalho conjunto com o Ministério das Obras Públicas, para além da construção de novos edifícios, estão a ser reforçadas as fundações e as próprias estruturas do edifício antigo”, sublinha. Quando concluídas as obras, terá 600 camas, será o maior hospital geral com serviços de altíssima complexidade, terá uma área para atender doenças infectocontagiosas e parasitárias.
A área será autónoma terá 68 camas, serviços de esterilização, bloco cirúrgico, recobro, UTI, laboratórios, banco de urgências, internamento, imagiologia, consultórios, área administrativa e área técnica.
Já o centro de formação do hospital Américo Boa Vida terá acomodação dos profissionais em formação de especialidade, assim como os respectivos professores, salas de formação, de cirurgia experimental, auditório, laboratório, imagiologia, refeitório, cozinha, biblioteca médica e área administrativa.