Foi durante a fase de discussão das normas relativas ao repatriamento de capitais que se começou a ter a mínima noção da dimensão do desafio em que estávamos mergulhados.
Um assunto foi trazido à ribalta pelo Presidente João Lourenço, que definiu o tema como um dos cavalos de batalha da sua governação, era logo previsível que, de forma simpática, dificilmente Angola iria reaver os fundos levados ao exterior.
Na Assembleia Nacional, recordo-me, a proposta dos camaradas previa, unicamente, que os cidadãos que expatriaram o capital pudessem trazer ao país, sem quaisquer exigências, desde que aqui investissem.
Na verdade, um expediente que poderia permitir mais investimentos e, consequentemente, mais postos de trabalho, renda para os trabalhadores e, por fim, mais possibilidade de consumo para as famílias.
Do outro lado – e estamos lembrados – houve uma proposta do maior partido da oposição em que se definia que uma parte dos valores tirados do país deveria passar para a esfera do Estado. E uma percentagem – inferior – ficaria com os cidadãos que tinham os dinheiros escondidos no exterior.
Olhando para as duas perspectivas, podia-se, desde já, adivinhar que era pouco provável que muitos aderissem à segunda proposta, nos moldes apresentados, uma vez que muitos dos nossos bilionários e milionários convenceram-se de que, mesmo delapidando o Estado, o dinheiro lhepertencia.
Aliás, embora, posteriormente, se tenha criado uma norma que tivesse bebido das duas propostas, parecem ter sido poucos os cidadãos que pre- feriram, por livre e espontânea vontade, trazer de volta dos vários milhões levados, que a esta hora serviriam melhor o país e a sua economia.
Mais do que um processo judicial, o regresso do capital no exterior dependia também do amor que muitos dos nossos milionários possuem pelo país, pelas suas gentes, o que iria influenciar nas decisões por eles tomadas.
Porém, embevecidos, quase todos em duplas e até triplas nacionalidades – em países onde até residem- foi nelas em que investiram o capital angolano, que lá permanecerá até que um dia deixem este mundo.
Apesar dos sinais que se passam de um refreamento no processo, ainda assim não se pode escamotear que os passos dados a nível do combate à corrupção criaram uma nova forma de ser e estar na sociedade angolana.
E que, independentemente dos modelos que alguns procuram trazer à liça, só mesmo de forma coactiva é que se pode conseguir chegar às fortunas escondidas a sete chaves em paraísos fiscais e noutros moldes.
Os mais de 2 mil milhões de dólares conseguidos no Reino Unido, no âmbito do processo de combate à corrupção e repatriamento de capitais, não foram alcançados com beijinhos nem palminhas. Mas sim pela entrega, num processo ainda com falhas, mas que se pode melhorar a cada dia que passa para o bem dos angolanos.