O documentário sobre a vida e obra da profetiza e líder política do Reino do Kongo, Kimpa Vita, produzido pelo congolês Netunda, vai ser exibido hoje, às 18 horas, no Palácio de Ferro, em homenagem ao mês dedicado à mulher (Março
Na exibição, alinhada ao projecto Cine Palácio de Ferro, com uma programação de carácter mensal, durante duas horas, o público será convidado a viajar e vibrar através da apreciação do filme desta profetiza e líder política do Reino do Congo.
De acordo com a coordenadora de eventos do Palácio de Ferro, Odeth Cassilva, esta será a segunda vez que apresentam este documentário, pela grande aderência por parte do público, por se tratar de uma heroína tida como figura antiescravista e conhecida como prefiguração dos movimentos modernos de democracia, autodeterminação e nacionalismo na África.
Cassilva disse ainda que a exibição do referido documentário enquadra-se nas comemorações em alusão ao “Março Mulher”, por se tratar de uma mulher africana, de mérito, cuja história de vida serve de inspiração a outras mulheres.
“E o mérito recaiu para esta grande referência que muito impactou o continente e pouco temse falado sobre a sua trajectória.
Uma das várias rubricas existentes, denominada Cine-PF, escolheu um filme que retrata a vida e obra de uma mulher africana”, sublinhou.
A coordenadora de eventos da referida instituição considerou o documentário rico e impactantes, o que também motivou a referida exibição para brindar os fiéis da casa, amantes do cinema. Pelo seu impacto, Odeth recomenda a sua apreciação à comunidade africana, de modo geral.
“Apela à população, em geral, para que façam a aderência deste evento e estejam presentes para que todos juntos possam conhecer a vida e obra de uma mulher africana que é uma referência a nível do continente e não só”, disse.
Promoção de filmes africanos
A rubrica Cine Palácio de Ferro tem por objectivo partilhar o cinema feito por cineastas angolanos e africanos, em particular.
A coordenadora da instituição referiu que a mesma tem tido grande impacto a nível social, uma vez que tem atraído um número elevado de cidadãos ao espaço, o que, deste modo, corresponde às expectativas da iniciativa.
“As pessoas têm dado um feedback muito bom sobre apresentação e apreciação de filmes feitos por cineastas africanos, que ganham vida no Palácio de Ferro. De algo que só é feito no continente berço da humanidade, incentivam a ideia não só com palavras, mas também com a presença”, destacou.
O projecto que caminha há mais de dois anos, desde o seu arranque, já permitiu a exibição de mais de trinta filmes de cineastas de todo o continente africano, com maior realce para os artistas angolanos. Assim sendo, disse, o públicoalvo é extensivo, desde crianças, jovens e adultos.
“De acordo com a mensagem dos filmes, procuram sempre orientar sobre a média de idade, às vezes tem algumas obras que não são recomendadas para crianças, e desde o início é destacado que não tenham acesso. Já as obras que enfatizam a presença de crianças e adolescentes, temos dado abertura para que toda a população possa assistir”, explicou.
Questionada sobre o estado da produção nacional, disse que actualmente tem tido uma boa qualidade, com a apresentação das obras que deixam o público satisfeito, no que diz respeito ao roteiro, organização, qualidade de imagem, representação, figurino, entre outros aspectos.
Percurso de Kimpa Vita
Dona Beatriz Quimpa Vita, também conhecida como Beatrice de São Salvador do Congo, nasceu em 1684, nas proximidades de monte Quibangu, no Reino do Congo, região que na modernidade localizase no Norte de Angola.
Morreu a 2 de Julho de 1706, foi capturada perto de São Salvador e queimada na capital temporária de Evululu como herege em 1706 pelas forças leais a Pedro IV. Foi julgada pela lei do Congo como bruxa e herege, com o consentimento e conselho dos padres capuchinhos Bernardo de Gallo e Lorenzo de Lucca.