“O nosso pai fundador teve uma vida longa e decisiva, durante a qual serviu de forma excepcional”, lê-se num no comunicado, que manifesta “pesar e tristeza”.
Enquanto líder da Swapo, segundo noticia o site Notícias ao Minuto, o movimento de libertação que co-fundou, em 1960, Sam Nujoma conquistou a independência da Namíbia, em 1990, da África do Sul, que tinha assumido o controlo do território à Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. Começou por unificar uma população de 2 milhões de habitantes, de uma dezena de grupos étnicos, que o apartheid tinha procurado dividir.
O “Velho”, como era apelidado o antigo Presidente, de barba farta e que fazia lembrar Fidel Castro, deixou o poder aos 75 anos, em 2005, depois de ter conseguido que a Constituição fosse alterada para poder completar um terceiro mandato.
Numa das últimas aparições públicas, em Maio de 2022, aos 93 anos, mostrou-se com o punho erguido. Deixando cair o andarilho, apelou para uma dedicação contínua aos “ideais Pan-africanos”. Com um ar frequentemente severo durante os discursos, o antigo chefe de Estado era conhecido pelas explosões de raiva contra os “colonizadores brancos” e os “neo-imperialistas”.
Em 2021, considerou insuficiente a proposta da Alemanha de pagar mais de mil milhões de euros de indemnização pelo massacre de dezenas de milhares de indígenas Hereros e Namas, considerado o primeiro genocídio do século XX. “A Namíbia deve voltar à mesa das negociações com a Alemanha”, disse, descrevendo a proposta como “terrivelmente insignificante”.
O estatuto de pai da independência permitiu-lhe gozar do apoio popular num país conservador. O homem cujo rosto está impresso nas notas de banco condenou, abertamente, a homossexualidade, qualificando-a, frequentemente, de loucura.
Na frente diplomática, apoiou, por exemplo, o vizinho Robert Mugabe, do Zimbabwe, na política de reforma agrária para expropriar os agricultores brancos, e manteve relações com Cuba, Líbia, Irão e Coreia do Norte. Nascido a 12 de Maio de 1929 no seio de uma família de agricultores, Sam Nujoma era o mais velho de dez filhos.
Cuidava de vacas e cabras, até que, aos 17 anos, deixou a remota aldeia do Norte onde vivia para se mudar para a cidade portuária ocidental de Walvis Bay. Descobriu a discriminação contra os negros e depressa se tornou sindicalista, frequentando aulas nocturnas, onde conheceu activistas pró-independência. Forçado a exilar-se em 1960 no Botswana, depois no Ghana e nos Estados Unidos, teve de deixar para trás a mulher e quatro filhos.
À frente da Swapo, lançou a luta armada em 1966. A guerra da independência custou mais de 20 mil vidas. Quando se tornou presidente, Sam Nujoma recusou-se a criar uma comissão para examinar as atrocidades cometidas durante os 23 anos de conflito entre a Swapo e os esquadrões da morte pró-sul-africanos.
Depois de se retirar da vida política, regressou à escola e obteve um mestrado em Geologia, convencido de que as montanhas da Namíbia estavam repletas de riquezas minerais inexploradas.