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OPAÍS

A problemática das escolas e os revisores textuais

Jornal Opaispor Jornal Opais
3 de Março, 2023
Em Opinião

De um tempo para cá, temos verificado, por meio de vários anúncios e comunicados de instituições de ensino, documentos que violam, de todas as formas, a norma escrita da língua portuguesa, esta que é oficial para o caso de Angola.

Assim, para fugirmos da generalidade, queremos aqui deixar claro que esta mensagem é dirigida às escolas que negligenciam a língua escrita. Estas escolas, no nosso entender, deviam ler e pensar na melhoria dos seus ofícios informativos, uma vez que tem sido lastimável lê-los.

Erros de base são inadmissíveis em documentos que saem de instituições de ensino; e, se esta for de nível superior, pior ainda. Mas, afinal, por que se cometem tais erros?

Talvez somente as escolas que os cometem devessem responder.

As autoras Caime e Busse (2014) explicam que, em estado normal, todo o falante de uma determinada língua devia ter o domínio do seu funcionamento em contextos formais e informais, o que também é tido como competência comunicativa, até ao nono ano de escolaridade.

Outrossim, quando estes falantes tiverem em mente que a língua escrita é mais rígida e com regras próprias do que a oral, embora esta última seja anterior à primeira, saberão ou conseguirão diferenciar os contextos de uso.

Os gestores escolares e outras instituições deviam saber que a língua escrita, assim como dizem as autoras em epígrafe, carece de respeito, pois que ela se copula a normas que controlam aquilo que é adequado e inadequado.

É devido a este dado que as escolas privilegiam o ensino da norma-padrão da língua, aquela que tem o objectivo de desenvolver no falante a competência de bem falar e escrever.

A propósito, Pestana comentou, num dos seus posts nas redes sociais, o seguinte: “O ter o domínio da norma escrita, ou o escrever com um padrão normativo, catapulta o indivíduo a um domínio social acentuado e facilitado”.

Concordamos com o professor Pestana, até porque qualquer estabelecimento sério tende a ter as normas do bem escrever e comunicar como critérios para empregar os seus candidatos.

O que se disse acima provoca em nós, mais uma vez, indagações, tais como: por que as instituições ignoram a norma escrita? Outro aspecto que, nalgumas vezes, nos deixa triste é a indiferença de muitas escolas diante de críticas (construtivas) que podem ajudar no melhoramento ortográfico, sintáctico e semântico dos seus documentos.

Ou seja, fazem-se de surdos-mudos ante a essas situações, o que não é muito bom. Uma escola que forma especialistas em Língua Portuguesa ou que, no seu quadro de funcionários, tenha pessoas que dominem a gramática normativa no entanto, ignoram-nos como se de desconhecidos e inexistentes se tratasse , com estes comportamentos, só se demonstra e se comprova a informação segundo a qual o nosso ensino é débil e deficiente. Voltamos a perguntar: gestores escolares, por que ignoram os revisores textuais?

Em condições normais, as instituições escolares, tal como possuem advogados para defender a empresa em questões judiciais e psicólogos para tratar de problemas mentais, teriam também um profissional, um revisor textual, cujo serviço fosse apenas “policiar” os erros linguísticos visíveis nos comunicados, anúncios, nas circulares e noutros documentos tornados públicos pelas escolas.

Infelizmente, a resposta mais comum que recebemos quando nos manifestamos contra os erros acima mencionados é que “o mais importante é a comunicação”. Se for, de facto, desta maneira que se pensa, teria de se abolir o ensino da Língua Portuguesa nas escolas. Ou seja, as revistas, os jornais, as rádios e as televisões não deviam passar suas informações tendo a norma-padrão do português como base.

A ideia de que o que mais importa é a comunicação talvez tivesse crédito no contexto informal  mercados, praças, ruas, bairros, etc. mas não é sobre isso que estamos aqui a tratar.

É imperioso, deste modo, que haja coerência entre o que se ensina e o que se pratica.

As escolas não podem e nem devem cobrar elegância na escrita dos alunos quando elas mesmas cometem deselegância nos seus textos informativos, porque será paradoxal.

E, muitas vezes, elas tendem a afixar documentos nos quais atropelam as mesmas regras de escrita que, supostamente, ensinam na sala de aula.

A ideia é ajudar a melhorar, aliás, não se avança quando se negligenciam as regras gramaticais em textos escritos formalmente.

É lindo, prazeroso e dá orgulho ler um documento escrito com seriedade, compromisso e responsabilidade.

Se assim não for, as instituições escolares continuarão a desrespeitar a própria escola e seus associados, nomeadamente o pessoal administrativo, os professores, alunos e encarregados de educação, com os erros nos documentos que publicam.

Que estas sugestões sejam também aplicadas nas suas páginas oficiais, bem como na da direcção (geral e pedagógica) e das associações de estudantes.

 

Por: GABRIEL CHINANGA

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