OPaís
Ouça Rádio+
Sex, 27 Fev 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Proconceito Linguístico Invertido: O que é? Como se faz?

Jornal Opais por Jornal Opais
10 de Fevereiro, 2023
Em Opinião

Dúvidas não nos restam de que alguns grupos sociais são mais prestigiados política e economicamente do que outros.

Poderão também interessar-lhe...

A nova responsabilidade das elites africanas

A inveja é a maior tala lançada nos locais de trabalho

Por onde anda o mérito?

O mundo, como se sabe, não é exactamente um mar de justiças.

Este facto social, que consiste na valorização de um grupo em detrimento de outros, acaba por se reflectir, inevitavelmente, nas línguas, que passam a ser, neste caso, veículos deste comportamento social.

Os antigos romanos, por exemplo, tinham por prática a imposição do latim aos povos que eram por eles invadidos.

E a história está repleta de exemplos como este, basta olharmos para África.

Mas, a par deste fenómeno social, há um outro, o do preconceito linguístico invertido, que mereceu igualmente a nossa atenção.

Preconceito linguístico invertido consiste, resumidamente, nas falsas conclusões a que chegam determinados linguistas (e não só) quando tratam de questões ligadas à língua.

Assim, pode dizerse que há dois “preconceitos linguísticos”: o primeiro está enraizado no DNA dos grupos que não conseguem, tal como os antigos romanos, perceber a heterogeneidade das línguas e, como consequência disso, rotulam, deselegantemente, os linguajares que se distanciam da norma-padrão.

O segundo, por outro lado, é o “preconceito linguístico invertido”, como preferimos chamar, um fenómeno forjado por alguns linguistas.

Aqui, no entanto, trataremos, rapidamente, já que a política do Jornal não nos permite escrever bastante, de alguns exemplos de preconceito linguístico invertido extraídos do livro “Preconceito Linguístico: O que é, como se faz?”, do linguista brasileiro Marcos Bagno.

No livro acima mencionado, Bagno denuncia alguns preconceitos (ou MITOS, como se lê no próprio livro) que gravitam em torno da língua portuguesa, sobretudo no Brasil.

E temos que confessar, desde já, que concordamos com muitos dos seus posicionamentos, entretanto, também indentificámos outros posicionamentos que se encaixam nas características de um preconceito linguístico invertido. Abaixo, veremos apenas um exemplo.

No mito 4, intitulado “As pessoas sem instrução falam tudo errado”, o autor defende a ideia de que as pessoas que pronunciam “bRoco”, “chicRete”, “cRáudia”, “pRanta” e outras palavras onde ocorre o rotacismo (troca do L pelo R) são estigmatizadas.

Na verdade, não temos dúvidas disso, aliás, mesmo em Angola, este fenómeno é também motivo de estigmatização, exclusão social, enfim.

No entanto, na página 41 do seu livro, o autor comete um dos vários preconceitos linguísticos invertidos.

Ele escreve: “Existem, evidentemente, falantes da norma culta urbana, pessoas escolarizadas, que têm problemas para pronunciar os encontros consonantais com L. Nesses casos, sim, trata-se realmente de uma dificuldade física que pode ser resolvida com uma terapia fonoaudiológica”.

Esta pode parecer uma simples afirmação, mas não o é, pois, para Bagno, fica claro que somente os falantes das normas não-padrão substituem, na fala, o L pelo R, o que não é verdade.

Segundo o autor, os falantes da norma culta urbana que falam daquela forma têm apenas “dificuldade física que pode ser resolvida com uma terapia fonoaudiológica”, mas, se se tratar de um falante da norma não-culta, o problema, para ele, é outro: é “atraso mental”.

Bagno foi vítima, como se vê, do preconceito linguístico invertido, pois os falantes das outras normas não são os únicos que falam daquela forma, aliás, o exemplo que ele mesmo deu de Camões, ainda na página 41, embora se trate de um caso que já idade avançada tem, é prova disso.

Ademais, também conhecemos pessoas letradas que pronunciam “baRde” (que é o mesmo fenómeno) no lugar de “baLde”, bem como há falantes da norma não-culta que dizem “baLde” e não “baRde”.

Portanto, o ideal é dizer que há mais chances de uma pessoa iletrada desviar-se da norma padrão, uma vez que esta só se ensina na escola, mas que todos podemos ser influnciados por este ou aquele fenómeno fonético.

 

Por: FAMOROSO JOSÉ

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

A nova responsabilidade das elites africanas

por Jornal OPaís
27 de Fevereiro, 2026

África vive uma transição histórica silenciosa. Não é uma ruptura anunciada por revoluções visíveis, mas uma mudança mais profunda: a...

Ler maisDetails

A inveja é a maior tala lançada nos locais de trabalho

por Jornal OPaís
27 de Fevereiro, 2026

Há um mal silencioso que corrói instituições públicas por dentro e raramente é discutido com frontalidade. Não está nos relatórios...

Ler maisDetails

Por onde anda o mérito?

por Jornal OPaís
27 de Fevereiro, 2026

Por onde anda o mérito e as pessoas de mérito? Onde estão aqueles que, por merecimento próprio e excelência pessoal,...

Ler maisDetails

Palavra de honra – Vidas de Ninguém (XIII)

por Domingos Bento
27 de Fevereiro, 2026

Por: Domingos Bento «Bruxa, xira, ngapa, feiticeira», abusavam os miúdos no bairro que ela ajudou a erguer quando, ainda jovem,...

Ler maisDetails

BAI mantém-se de “pedra e cal” na liderança do top 5 dos bancos e Sol surpreende na segunda

27 de Fevereiro, 2026

A nova responsabilidade das elites africanas

27 de Fevereiro, 2026

A inveja é a maior tala lançada nos locais de trabalho

27 de Fevereiro, 2026

Por onde anda o mérito?

27 de Fevereiro, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • O País
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.