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Posto Médico de Caculo Cazongo sem médico

Jornal Opais por Jornal Opais
8 de Dezembro, 2017
Em Última Hora

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Há 4 anos que o posto médico de Caculo Cazongo, no Bengo, está fechado por inactivadade. O médico já não aparece, por razões desconhecidas, e os populares deste bairro e de três outros que o circundam têm de percorrer longas distâncias em busca de tratamento.

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Localizado nas profundezas de Calomboloca, no Bengo, a comuna de Caculo Cazongo, é um bairro silencioso, não apenas pelo facto de ter poucas pessoas a habitar o local, mas também por ter caído no esquecimento das políticas governamentais, como dizem os seus habitantes. Não tem muita coisa, há muitas promessas por cumprir e pouca esperança no futuro.

A nossa presença no local chamou a atenção dos moradores e do soba, que rapidamente teve de adiar o que estava a fazer para atender à equipa do OPAÍS. Luriano José da Silva é o soba, por ter herdado o trono do pai, após a sua morte. A autoridade tradicional de Caculo Cazongo conta que várias são as dificuldades que vivem, dentre as quais a falta de médico na unidade hospitalar da comuna.

Existe a estrutura, com o mínimo de condições possível, mas não tem profissional de saúde. Por essa razão, os populares têm de percorrer 12 quilómetros de distância até Calomboloca. O Posto Médico está encerrado há mais de quatro anos e, muitas vezes, aparecem preocupações que merecem intervenção urgente de um profissional de saúde, vendo-se aflitos para serem socorridos.

O Posto Médico foi construído com o objectivo de albergar um médico, mas, infelizmente, “ninguém quer viver na Comuna”. Lembra-se de que, quando o posto funcionava, pelo menos mais quatro bairros próximos dependiam do mesmo, pelo que não se sabe por que amarguras estão a passar esses indivíduos, quando para Caculo Cazongo já tem sido difícil.

A escola do bairro Caculo Cazongo tem duas salas, funciona apenas uma, a outra encontra-se desagradada. Sem tecto, sem carteira e o quadro em péssimas condições, a escola mostra um cenário de tristeza. Quanto à questão da energia eléctrica, que também é um problema daquela comunidade, o soba disse que se houver vontade política, “nós estamos a 5 ou 7 quilómetros dos postos de linha directa, aqui em Nganzazuzi, que dá muito bem para transportar energia ao bairro, mas, infelizmente, estamos às escuras”, disse.

Transportes públicos precisa-se

O soba reconheceu o sacrifício que os seus moradores, e não só, fazem para chegar ao município sede em busca de ensino escolar e de saúde, apesar das carências que se regista tanto num, quanto noutro sítio. Por isso, também pede que se coloque transportes públicos na zona, só para minimizar o sofrimento do povo.

De quando em vez, quando aparece uma motorizada, são obrigados a pagar 700 Kz por cada viagem, o que chega a ser muito caro para a população que depende, muitas vezes, do pouco que consegue da agricultura. A caminho de Caculo Cazongo deparámo-nos com uma pequena comunidade, denominada Calata, que depende de Caculo porque fica mais próximo da comuna sede, Calomboloca, e da Banza. É um bairro com poucas pessoas e também com condições precárias, sem água nem energia, muito menos serviços de Saúde e Educação.

As crianças de Calata estudam na comuna da Banza, mas quando a questão envolve a saúde, pelo facto de o posto médico desta comuna não estar a funcionar por falta de enfermeiro, bem como o posto de Caculo Cazongo, deslocam-se a pé até à comuna sede. “Em Calomboloca estamos mesmo muito distantes de tudo e, muitas vezes, pensamos duas vezes para ir em busca de ajuda médica. São aproximadamente 10 quilómetros”, disse, Victória da Silva.

“A escola fica muito distante e se os pais não tiverem dinheiro para pagar o transporte, ou se ninguém, de boa-fé, parar e der boleia, vêemse obrigados a andar a pé”, disse- Damásia Mateus, de 36 anos, que lamenta o facto de toda a extensão de Calomboloca estar praticamente desabitada devido às condições precária de vida. Para dar continuidade aos estudos, por exemplo, os jovens têm de se deslocar a Catete, porque o ensino médio em Calomboloca não é uma realidade, ainda mais numa altura em que a única escola que “remediava”, no próximo ano lectivo será privatizada. Estudando em Catete os gastos com o transporte são mais elevados.

 

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